
Lentes de aumento
Cabelos de mola, com ondas que se desfazem entre os dedos. Não, não são os meus cachos de pequena! Esses, agora, são claros e, como dizem as histórias infantis, dourados. Como os da boneca, aquela de porcelana, no alto da estante. Eu, ainda tímida, confesso perder as palavras para descrever uma sensação que, de tão nova, me assusta. Mas me invadiu, de súbito, e encheu os olhos de brilho. Estendendo a mão e me chamando pelo apelido – que nome mais difícil, Djô! – sabe como acertar em cheio o gostar e o encantar. Tão pequena, mas com olhos enormes que, agora, enxergam o mundo por traz de duas lentezinhas, pequeninas como ela. Mas só por enquanto, pois já se imagina e se sonha com todo o mundo que ela verá de pertinho. Ainda me surpreendo como me apareceu assim, de surpresa, como o melhor chocolatinho guardado para depois do almoço. Ainda acho estranho como, em tão pouco tempo, o admirar e o querer-bem me pegaram de jeito, pelas mãos. Vieram ele e ela, com os mesmos olhos, estendendo as mãozinhas, grandes e pequenas, na minha direção. E como não esticar as minhas e me deixar levar?Ah, não sei se a lei que criaram por aí permite que eu me sinta assim. Mas sei que serei fora-da-lei, caso o mundo não enxergue a pureza e a beleza e o colorido com que alguém, lá de cima, pintou as flores que surgiram para beirar a minha estradinha, do agora até o pra sempre.