quarta-feira, 4 de junho de 2008

Maravilhosa


Ela me deixou extasiada. Tem qualquer coisa de magia naquela mulher. Qualquer coisa na voz, no olhar, no sotaque, no porte, nas flores do vestido, no jeito de amarrar o cabelo.

Quando as luzes se apagaram e começou a cantar Chovendo na Roseira eu, de tão feliz, senti vontade de chorar. Quando ouvi o trecho "deixe que eu siga novos caminhos, em busca de outros carinhos", de Risque, chorei. E as mãos, que se entrelaçavam timidamente, se apertaram em Estrada do Sol, apertadas o bastante para que os dois pudessem, em seguida, se beijar em segredo em uma casinha, lá na Marambaia. E pra todo mundo ver, em Só Tinha de Ser Com Você. Então, deixaram o Municipal e, mais tarde, conseguiram se abraçar bem forte, inventando um final só deles para Se Todos Fossem Iguais a Você.

Descobri a Teresa Salgueiro na época em que tomei a decisão que foi até hoje a mais difícil, com o coração cheio de força e coragem. Os versos de Meditação, na voz dela, viraram para mim uma espécie de mantra. Na segunda-feira, quando ela cantou que a flor, o sorriso e a flor se transformam depressa demais, lembrei sem dor da menina que, naquele setembro escuro, deixou a mala de certezas na estrada e seguiu em frente, repetindo para si mesma o final da canção de Tom Jobim e Newton Mendonça:

"Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
E a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou"

3 comentários:

Joana disse...

Texto incrível, amiga-poema!

Rô Dezan disse...

Lindo Nana! Continuo me emocionando diariamente com o blog de vcs.
Bjs...

renata megale disse...

demais!