segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O dia em que provei a torta de limão


A torta não sossegou. Eu bem tentei avisar que hoje não era dia de ilustrar o blog: pré-fechamento - o que significa toda a tensão do fechamento sem o alívio do fechamento -, dilúvio (pior chuva dos últimos 15 anos?), segunda-feira-pós-um-fim-de semana-gostoso...Não adiantou. Deve ser porque nos apaixonamos à primeira vista, eu e a torta. Já tinha ouvido falar dela, a famosa. Mas fui meio como quem vai passear a cabeça, porque quando a gente espera, espera, aí, já viu. Que nada: a bichinha é mesmo divina. Olhei pra ela, na forminha, estufada de tanto creme e sustentada por uma massa bem fina, levemente molhada por uma calda com cara de ser bem açucarada, daquelas que acompanham doces em compotas (saudade dos cordisburguenses do Ronaldo!), e gamei. Segurei a torta na mão, ela me olhando, eu olhando pra ela, ela metida com aquele pingo na cabeça, um quase-sorriso de canto de boca por saber que eu não poderia devorá-la antes das fotos.

Toda torta, no fundo, espera ser fotografada, estampar capas de revistas, suplementos de jornais. Que vida sem graça deve ser ficar exposta rapidamente na mesa e ser atacada por dedos de criança (ahãn) ansiosos por uma abocanhada. Muito mais legal posar pra foto, deixar os leitores doidos de tanta vontade de prová-las. Safada, ela me ganhou. Fiquei tão obsessiva que não só cogitei comprar algumas tortinhas como tirei o cartão de crédito da bolsa e perguntei quanto custava uma unidade. Aí o dono das tortinhas gentilmente me disse que tinha mandado embrulhar quatro (!) para mim, e que eu não precisava pagar por elas (tipo "calma, sua desesperada").

Entrei no carro com o pacote todo cheio de durex, que desempacotei rapidamente, peguei a torta na mão, fiquei alguns segundos me vangloriando e dei a primeira mordida no creme. Creme não se morde? Mordi. O nariz ficou branquinho, melado, e, eu, rindo daquela menina. Até chegar na massa, não tinha contado para o motorista e o fotógrafo minha estripulice. Quis que a história fosse só nossa: minha e da torta. Cheguei na massa. E em cima dela a calda doce, e em cima da calda o creme de suspiro...suspirei: "acabo de comer a melhor torta da minha vida".

Agora eu queria dizer assim: foi então que eu nem liguei mais pra chuva, até achei bonita a onda que se formou no Viaduto Antártica, me deu saudade da Ilha; foi então que eu esqueci das mil e uma obrigações desta segunda-feira, do medo de falhar, do medo; foi então que tudo virou doce, como o algodão doce que comi naquela sexta-feira. E foi então que eu disse. Só pra me provocar.

2 comentários:

Joana disse...

Você sempre fazendo vontades, hein D. Nana? Ainda não engoli (em todos os sentidos)a tal "melhor rabanada do mundo".
Linda! essa é das minha pra sempre.

D. disse...

e pintou o limão de vermelho?