sábado, 27 de outubro de 2007

Dançando no escuro


Gosto de procurar imagens que me inspirem a escrever no blog, como essa dança de Matisse. Talvez seja porque tenho muitas coisas passando pelo meu coração agora, e é difícil escolher uma delas. Deixo-me levar. Deixo a foto de um simpático ratinho aparecer no meu e-mail e inesperadamente me transportar para Paris! Tomamos sorvete e falamos de amor. Hoje, quero falar de presença, que também é uma forma linda de amor, talvez a mais bela de todas. Ando presente na vida. Sim, presente. Tenho prestado a atenção numa coisa que parece meio banal: a diferença entre estar e estar presente. Presença é quando nos sentimos inteiros em um lugar, aquela sensação gostosa de que a vida já valeu só por aquele momento, aquela troca. Trocas com sua cabeleireira, com o motorista do jornal, com as amigas, com a mocinha do caixa da farmácia, com a criança do carro vizinho...Nessa semana dancei, durante muitos minutos, com os olhos fechados, uma sucessão de músicas bem diferentes umas das outras que pareciam fazer, porém, parte da mesma sinfonia, a minha sinfonia, aquela que eu estava regendo e que me colocou em contato com o melhor de mim. Dancei sentindo cada movimento, leve, deixando a música entrar - me fazer entrar -, sem permitir que me levasse para um lugar distante daquele. Não queria sonhar. Sonhar é bom demais, eita coisa deliciosa, ir pra bem longe, um lugar imaginário, um tempo bom. Mas agora, dá licença que eu quero estar aqui, sô! É o que busco. E o que a gente busca, bem disse-me uma amiga, a gente já tem.

2 comentários:

Jobas disse...

"Vai ter gente enlouquecida
querendo entender a sua dança
querendo saber da sua vida"

Nã, linda imagem!!!!

Ana disse...

Naneto!

Daquela festa guardei muito essa imagem de você dançando com os olhos bem fechados e sorrindo...