terça-feira, 22 de abril de 2008

Roda Gigante


A vida corria num movimento constante. Rodava. Mas não como roda de carro ou bicicleta. Era como uma grande roda, uma roda gigante! Beatriz ficava pequena diante da imensidão daquele brinquedo que ia e vinha. Ora lá em cima, ora bem debaixo.
Certo dia descobriu que a vida também era como uma roda, que passava circular, cheia de voltas, num eterno vai-e-vem, embora, às vezes desordenado. Era uma roda de sorrisos, tristezas, dúvidas, sonhos. Cada banco colorido da roda gigante representava algo. A tal roda era cheia de segredinhos. Alguns bem doces, outros amargos, azedos...

Beatriz também gostava de rodar seu vestido. Até que saiu por aí rodando, rodando. E, de tanto rodopiar, foi bater na porta de Nietzsche, que lhe disse baixinho:


“Tudo vai, tudo volta;
eternamente gira a roda do ser.
Tudo morre, tudo refloresce,
eternamente transcorre o ano do ser.
Tudo se desfaz, tudo é refeito;
eternamente constróí-se a mesma casa do ser.
Tudo se separa, tudo volta a se encontrar;
eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser.
Em cada instante começa o ser;
em torno de todo o “aqui“ rola a bola “acolá “.
O meio está em toda parte.
Curvo é o caminho da eternidade”.

2 comentários:

sushi disse...

eee, muito bonito, ana! nietzsche também bateu na porta de kundera, avisando que se a vida não fosse uma roda gigante, ela seria bem mais leve, mas seria chata e vazia. as rodas gigantes são um convite à vida.

um beeijo!

Confissões de uma balzaquiana... disse...

Adorei os seus textos.
Virei sempre aqui!
Um beijo.